sábado, 30 de junho de 2012

INFÂNCIA


Neste instante, me vejo criança, pulando corda, olhando a corda girar e ensaiar a entrada neste movimento, me envolvendo no compasso desse giro, pulando no momento exato para não errar e sair da brincadeira! E toda essa agitação findava com o chamado de minha mãe para dormir: após um copo de leite, a cama suportava meu último pulo, meu rendimento ao cansaço das brincadeiras.
Recordo bem de Totonha, bem velhinha, o rosto tão enrugado que eu examinava curiosa,  perguntando o porquê de tantas marcas naquele rosto. E ela respondia, minha fia, isso é o tempo. Ele não espera,  só corre como o vento e um dia a gente vê que ficou véio!
E eu já pedia as bolachas americanas, com aquele sabor crocante, torradinhas, que eu comia repetidas vezes! E Totonha ali ficava rindo de minha gulodice e fiando aqueles lindos bicos de renda numa grande almofada cheia de alfinetes! Eu tentei aprender, mas não levava jeito prá contar os pontos, me dava um sono danado e logo desistia, me despedindo e correndo para procurar aquelas lagartixas verdes chamadas calangos, no jardim de meu avô. Meu primo com o estilingue, perseguia  as coitadas até acertar uma com aquela arma de menino! Eu reclamava, mas ele ficava rindo e saía correndo pra mostrar ao meu avô o bichinho quase morto!
À noite, meu avô andava pela casa, arrastando os chinelos e rezando baixinho enquanto ia fechando todos os janelões daquele casarão. E eu me deitava naqueles lençóis de linho, engomados com ferro de brasa que deixava neles um cheiro leve de carvão queimado. A casa toda se rendia àqueles sons peculiares: o arrastar dos chinelos de meu avô, seu sussurro na oração, o barulho  dos janelões fechando  e o velho relógio de carrilhão marcando nove horas da noite!
De madrugada, antes do sol nascer, todos se acordavam, comiam uma fruta e iam para a praia: meu avô, minha avó, a empregada Maria, eu e meu primo Vadinho. Era uma aventura sair no escuro e ver o sol nascer na praia, um espetáculo de luzes vermelhas e alaranjadas no céu! Esse banho de mar renovava nossas energias de criança e logo após o café da manhã, íamos em busca das brincadeiras naquele imenso jardim e quintal! Meu avô, homem do interior, amava mexer na terra, plantando flores e legumes usados no preparo dos alimentos.
Como dizia Totonha, em sua sabedoria de gente do interior, o tempo não espera, só corre como vento!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O TEMPO

O TEMPO

NA CORRIDA DO TEMPO
NA CORRIDA DAS HORAS
DEIXEI DE CONTAR O TEMPO
O PRESENTE FOI EMBORA

NOS PONTEIROS DO RELÓGIO
MEU TEMPO FICOU PRÁ TRÁS
O HOJE JÁ NÃO EXISTE
O QUE ERA JÁ NÃO É MAIS

NA VIDA O TEMPO PASSA
VOANDO MAIS QUE O VENTO
NO CONTAR DOS MINUTOS
VOA ATÉ O PENSAMENTO

TODOS CORREM APRESSADOS
NA CORRIDA CONTRA O TEMPO
UNS FICAM , SÃO ATROPELADOS
NO DESAMOR DO MOMENTO

CORRI TANTO CONTRA O TEMPO
ESTOU A DESACELERAR
SE CORRO TANTO NEM SEI
AONDE QUERO CHEGAR!