quinta-feira, 24 de maio de 2012

SAMUEL


SAMUEL

CACHINHOS DOURADOS

ROSTO NO PORTÃO ENCOSTADO

OLHINHOS ESPERTOS

CHAMANDO AO PORTÃO:

VOVÓ, JÁ “CEGUEI”!

A CASA SE ILUMINA

SE TORCE E RETORCE

COM TANTA ENERGIA

SORRISO INOCENTE

CHEIO DE ALEGRIA!

VOVÓ, TEM BISCOITO?

Ô MENINO GULOSO!

LEVADO E DENGOSO

CONTA UMA HISTÓRIA, VOVÓ!

AQUELA DOS TRES PORQUINHOS!

CORRENDO CONTENTE

SE DESPEDE DA GENTE

E A CASA, VAZIA

DE SUA ALEGRIA!!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ESPELHO






REFLEXO DE MINHA’ALMA
REFLEXO DO TEMPO
NA IMAGEM REFLETIDA
MARCAS DA VIDA
MUDANÇAS OCORRIDAS
IMAGENS DO PASSADO,
PRESENTE INACABADO:
INFÂNCIA, FANTASIAS
BRINCADEIRAS, ALEGRIA
:JUVENTUDE, SONHOS,
ANSEIOS,  DEVANEIOS,
MATURIDADE, RESPONSABILIDADE,
AFETO, POESIA,
NA BUSCA DA ALEGRIA
NO ESPELHO A VERDADE
DE NOSSA REAL IDADE
NAS RUGAS QUE ESTÃO POR VIR
REFLEXO DE MIM!


sexta-feira, 18 de maio de 2012

CORPOS EM FLOR

Abraço: força de um laço

Corpos unidos em um só compasso

Amor manifesto

num gesto

Amizade viva,

 energia ativa

Troca, doação,

força, emoção

Carinho, devoção,

Cura doenças,

devolve a crença

Na força do amor,

Corpos em  flor

Em um só abraço!

quinta-feira, 17 de maio de 2012


Olinda, minha cidade!

Encanto da natureza

de infinita beleza

praias, coqueiros e luz

sobrados, igrejas, ladeiras,

história que nos seduz

artesãos, pintores, cantores, 

espalham  arte em toda parte

imponente, majestosa

de uma beleza infinda

és sempre maravilhosa



minha cidade: Olinda!


CHEIRO DE PITANGA


CHEIRO DE PITANGA
Ana Rosina Raposo Rodrigues


      Se tem um perfume especial que me transporta à infância é o cheiro de pitangas. Após meus sete anos, meus pais se mudaram para uma casa que ficava em uma ladeira de frente para a igreja de São Francisco em Olinda. A casa, bem típica das moradias daquelas paragens, era bem singela, pequena e acolhedora. De lá eu avistava o Cruzeiro, uma enorme cruz de concreto no centro de uma pequena escadaria da qual o povo contava histórias de assombração.
     Na lateral da casa, uma ladeira com muitos pés de pitanga e de palma, um tipo de cacto que cresce no interior e que serve de alimento para o gado. Eu, menina de pés descalços, explorava aquela pequena floresta em busca das pitangas tiradas direto do pé, de onde se espalhava no ar aquele perfume que ficou em minha memória. Levava sempre uma faquinha para cortar pedaços da palma e tirar de dentro uma espécie de geléia transformada em papa para servir às bonecas.
    Certa vez, duas lagartixas passaram por mim numa enorme correria e uma delas chegou a subir nas minhas pernas. Imaginem os gritos que dei assustada com aqueles monstros parecidos com um jacaré!
    À tarde ia sempre na casa de Dona Zezé comprar cocada bem pretinha que eu comia com aquela gula de doces própria das crianças. Sentava na calçada para o jogo das pedrinhas, seixos lisos encontrados na rua sem calçamento.
   Ao cair da tarde, ficava em frente da casa, banho tomado, roupas limpas pelo zelo de minha mãe, esperando a passagem dos frades franciscanos que passavam por ali com freqüência, não sem antes ouvir de mim: _ Bença padre, me dá um santinho!
    O frade tirava do bolso da batina aquele santinho de papel que ia para a minha coleção e lá ia eu subindo a ladeira na maior alegria!
  Às dezoito horas o sino da igreja tocava e eu ficava na janela observando aquele momento de paz, onde a natureza mostrava toda a beleza da chegada da noite.
   Era um momento mágico, onde os pássaros voavam em busca de abrigo e onde o silêncio se fazia após o toque do sino da igreja, as folhas das árvores se encolhiam e pairava no ar todo aquele recolhimento! Era neste instante que eu sentia uma felicidade genuína, simples como aquela casa em que eu vivia, me deixando saudades ao lembrar desse momento, saudades do cheiro de pitanga!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

SOLIDÃO


Noite  escura, vento a assobiar prenunciando tempestade. A lua amedrontada se escondeu por trás das densas nuvens. Olho pela janela a rua deserta e fria. Diviso no relfexo da vidraça meu rosto marcado pela trajetória de minha vida: revejo, como numa reprise de um filme, todos os momentos vivenciados, com muitas lições das quais eu, aluno jovem e curioso,  tive que aprender. Lições que, por ironia do destino, resultaram de um aprendizado através da dor; sim, porque as decepções e quedas são as garras do destino a nos impulsionar a adquirir alguma sabedoria. Episódios de alegria e tristeza ressurgem na tela de minha memória: em um segundo cá estou, menino de calças curtas, atendendo ao chamado de minha mãe, nas badaladas do meio-dia, a me despedir de meu pai em seu leito de morte, aonde chego amedrontado, me aproximando devagar para lhe pedir a última benção. E ele partiu naquele mesmo dia!
Minha mãe,  viúva muito jovem, atendeu ao convite de meu avô Basílio, pai de meu pai, para morar com ele e a esposa na Rua Duarte Coelho: me vejo então correndo, bolsos cheios de bolas de gude, olhos ávidos a procurar um companheiro para disputar uma partida. Empinar pipas coloridas, brincar de amarelinha ou pular corda, eram os folguedos de infância que me ajudavam a dispersar as energias de criança, além da travessuras com os meninos novatos na vizinhança: havia uma brincadeira que consistia em correr com um cabo de vassoura com a ponta suja de lama e o garoto teria que alcançar e segurar, sem saber que sairia com as mãos sujas e suportando as minhas risadas e a de meus irmãos!
Em outro segundo me vejo em plena adolescência, estudando em colégio interno,  ainda morando na casa de meu avô Basílio, avô amado e temido por sua extrema rigidez na educação dos netos, cujo olhar já nos transmitia a hora de sair da sala para não ouvir a conversa dos adultos. Lembro do som de suas pisadas no assoalho de madeira da velha casa, que nos fazia esconder rapidamente o cigarro recém-aceso. A casa de meu avô, austera e convencional como o seu dono, aonde às refeições só era permitido o som do tilintar dos talheres à mesa.
Minhas férias do colégio eram apenas uma mudança de uma austeridade para outra, com o acréscimo de alguma liberdade de sair à rua com a hora rigidamente marcada para voltar: ai de mim e meus irmãos se não estivéssemos em casa às nove horas!  Meu avô já aguardava na porta, chibata na mão e gritos de reclamação que muito faziam a minha mãe sofrer nesses momentos! Foi um período de muito aprendizado na vida, onde nos fortalecemos com a vontade de começar a trabalhar e ter uma independência financeira que nos permitisse morar com minha mãe e irmãos em nossa própria casa.
Olho novamente minha imagem na vidraça e vejo o que restou: alguém que mantém o bom humor mesmo diante de tempestades na vida, alguém cujas vitórias e fracassos foram sempre um estímulo para seguir adiante, buscando forças internas que me impulsionavam à superar os obstáculos. E a solidão que me invade alma neste momento é apenas a companheira necessária e dileta de alguém que não gosta de estar só, mas que, contraditoriamente se sente bem com a solidão!
Apago o cigarro, busco meu violão e deixo seus acordes me despertarem para o presente, com a sensação de momentos bem viividos e do dever cumprido nestes cinquenta e cinco anos!

Ao meu querido pai Reginaldo, cuja vida foi para mim precioso aprendizado e exemplo de um pai afetuoso e amigo!