quarta-feira, 30 de abril de 2014

MEMÓRIA

MEMÓRIA




É interessante como a casa reflete a identidade de quem nela mora: seus móveis, seus cheiros, seus sons, cada canto está pleno de presença. Desde minha infância frequentei a casa de meus tios Jayme e Lela. Muitas férias  passei brincando na calçada com meus cinco primos ou saboreando as sopas e angus de Aiá na ceia dos finais de tarde. Aprendi a dançar valsa com meu tio, que era um ótimo dançarino., baiano de boa conversa, muitas histórias de caçadas na mata, onde viu muitas espécies de animais, até uma cobra sucuri que engoliu um companheiro de caçada. Agora, com a partida de minha tia há sete anos e recentemente, de meu tio, a casa está triste, quieta, silenciosa; nela ficou Aiá que ainda faz questão de cozinhar para meus primos que a visitam diariamente, com a atenção de quem nela vê a segunda mãe. Me dói entrar na casa, agora, plena de ausência e lembranças. Mas é importante enfrentarmos a perda, o luto pelos entes queridos e continuar dando atenção a quem fica conosco.