terça-feira, 22 de outubro de 2013

MARACATU RURAL


CABOCLO DE LANÇA
DE ONDE TU VENS?
EU VENHO DAS MATAS
DE LÁ, MUITO ALÉM...
CABOCLO DE LANÇA
PARA ONDE TU VAIS?
VOU DANÇANDO NO RITMO
DE MUITOS CARNAVAIS
CABOCLO DE LANÇA
QUEM É VOCÊ?
SOU ESPÍRITO DA FLORESTA
NÃO QUEIRA SABER
CABOCLO DE LANÇA
POR QUE ESSA FLOR?
ELA PROTEGE O CAVALO
DAS DORES DO AMOR
EU VIM DE LONGE, DE MUITO LONGE
NA PALHA DA CANA FIZ MINHA COROA
DO CHEIRO DA MATA NA TERRA BATIDA
EU JOGO MINHA LANÇA

E CANTO UMA LOA

domingo, 21 de julho de 2013

O ANÃO E O GIGANTE



Certo dia, ao observar uma rua próxima à praia, vi um gato caçando um bichinho tão pequeno que tive dificuldade em saber que bicho era aquele. Ao me aproximar um pouco, mantendo uma distância que permitisse ao gato continuar com sua caçada, vejo que o bichinho era uma Maria Farinha, um minúsculo caranguejo muito comum nas praias de Pernambuco. Continuei observando e, para minha surpresa, eis que  a Maria Farinha consegue avançar para o gato, mostrando suas pequenas patas abertas como uma tesoura, ao mesmo tempo que o gato recuou assustado. Acho que ele não esperava uma reação dessas! E nem eu, tampouco! Achei muita graça na coragem daquele ser tão pequenino que se agigantou com sua valentia!
A natureza sempre nos dá uma lição permanente: o minúsculo caranguejo reuniu as armas que possuía (suas patas) e enfrentou o gigante gato com sua coragem e auto-confiança.

Assim também é a vida: diante de um problema aparentemente maior do que nossas forças,  reagimos e o  superamos, sem nem imaginar que teríamos tanta coragem e energia para solucionar a dificuldade! Ou também pode ocorrer o contrário: problemas pequenos podem se agigantar diante de nós porque nossa percepção  limitada complica a vida, levando-nos a sofrer muito mais, nos imobilizando e não permitindo que possamos encontrar uma solução.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

CARRO DE BOI

O carro de boi anda lento,

Saculeja, range e  geme

Nas pedras desse caminho

Mal o galo cantou

Suas rodas de madeira

 Resvalam duras  na  estrada

No sertão de madrugada,

Varando  a terra molhada

leva homem, mulher  e menino

 na lavoura, a jornada

semeando  milho, feijão, macaxeira...

E um dia na cidade

 chegam esses alimentos

Quem come nem sabe dessa lida

 Da enxada, da terra, da chuva

Do homem, da mulher,  do menino,  dos bois

Uma dura jornada!








domingo, 16 de junho de 2013

Aqui estou

Não quero ser herói
Nem tampouco infalível
não quero todas as cores
apenas as que tocam minha retina
não quero acomodação
apenas a provocação da vida
a me instigar perguntas, 
olhar o horizonte tão longe
ao mesmo tempo tão perto....
Não vi as ondas que vieram 
e se diluíram em brancas espumas
apenas vi as pegadas na areia
caminhantes como eu
na estrada da vida
Onde correm as horas
voa o tempo
tornando tudo passageiro
estações de embarque e desembarque
Jardim de flores e frutos
Águas mansas e violentas
Pedras que se movem
nas curvas dos rios
Areias que se movem
ao sabor do vento
apagando minhas pegadas
Aqui estou?

domingo, 2 de junho de 2013

BORBOLETAS

 Olhando as pequenas árvores do jardim de meus vizinhos, tive uma boa surpresa: borboletas esvoaçando em torno das árvores, borboletas miudinhas, onde percebi duas espécies diferentes. Há uns trinta anos atrás, eu me encantava com as borboletas no jardim de meu avô. O jardim de sua casa era grande, com dálias, cajado de São José, lírios e jasmins. As borboletas chegavam na sua faina diária, esvoaçando numa dança ritmada, de cores e desenhos variados em suas asas, o que me deixava ocupada em observá-las.
        Havia de todos os tamanhos, muitas espécies.
Na minha ignorância de criança, tentava apanhá-las quando juntavam as asas e meu avô dizia:
 - Cuidado com o pelo das asas dela, pode até cegar!
 Eu a libertava de minhas mãos e voltava a admirá-las em seu lindo voo. Aprendi com elas que aquele feio casulo pendurado nas folhas, seria um dia uma maravilhosa borboleta! Acompanhava curiosa o seu desenvolvimento, até o dia em que se libertavam daquela prisão e partiam voando para sua liberdade!                            
 Hoje vejo retornarem, após longos anos sem vê-las, a não ser quando em viagem pelo interior. Voltaram miudinhas, não sei se por serem novas ou por mutações provocadas pela poluição das cidades. De qualquer modo, me deixaram feliz por ver essa renovação constante da natureza na luta contra a destruição humana. 


quarta-feira, 15 de maio de 2013

NARCISO


NARCISO

                 Ele chega de repente, invade a sala com seu canto! E tudo fica mais bonito, mais leve! Ele insiste em cantar para sua imagem no espelho da sala, não sei se ainda não tem uma companheira, ou porque simplesmente se ama. De qualquer maneira, decidi chamá-lo Narciso. Diferente do personagem da tragédia  grega, ele canta, canta e sai feliz, alçando voo para outras paisagens.
             Já me acostumei tanto com sua presença que, ao se atrasar em sua cantoria diária, fico na expectativa pensando se ele vem. E eis que ele chega e inicia sua linda cantoria, em plena liberdade de ir e vir, de voar para onde sentir vontade!
              Sempre tive pena de pássaros em gaiolas. Não entendo por que o ser humano toma posse de pássaros como se eles não fossem livres como a natureza! Um animal que tem asas não deve ficar restrito a um espaço tão minúsculo para sua capacidade de ver o mundo.
             Aqui em casa eles fazem ninho nas samambaias, criam seus filhotes e voltam sempre que sentem vontade, aproveitando o ninho já preparado. E nos presenteiam com seu lindo canto, sem restrições, na liberdade de ir e voltar quando assim o desejam.
          Penso que nessa ânsia de prender e tomar posse, a espécie humana está intimamente aprisionada pelo egoísmo,  que a impede de alçar novos voos, crescer e ser feliz.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

RETICÊNCIAS


RETICÊNCIAS

ANDEI POR MUITOS CAMINHOS
MUITOS MAIS EU VI , ALGUNS ESCOLHI
VIVENDO MINHAS  ESCOLHAS...
NAS ÁRVORES CANTAM OS PASSARINHOS
MUITOS FAZENDO NINHOS
ALGUNS APENAS CANTANDO
NA PURA ALEGRIA DE SER....
NO MAR AS ONDAS SE AGITAM
NO MESMO MAR, CALMARIA!
NA LUZ DO SOL SE FAZ O DIA
NAS TREVAS DA NOITE
BRILHAM PONTOS DE LUZ,  ESTRELAS....
AS FOLHAS SECAS CAEM E VOAM
PROCURANDO NOVOS DESTINOS
AS FOLHAS VERDES PERMANECEM
REFAZENDO A VIDA, ESPERANDO AS SEMENTES...
AS MONTANHAS JÁ FORAM PEDRAS
QUE ROLARAM NAS ÁGUAS DO RIO
MUDARAM A PAISAGEM
NO AFÁ CONSTANTE
DE UMA VIDA EM MOVIMENTO...
E TUDO VAI MUDANDO, EU TAMBÉM MUDEI...


sábado, 27 de abril de 2013

BRINCADEIRAS

BRINCADEIRAS



Catavento colorido 
que não para de girar
Alegria de criança
 corre, corre sem parar
Lindas bolhas  de sabão 
cheias de cores mil
 voam sempre com o vento
Vida breve em  céu de anil
Pula, pula academia
Até chegar neste céu
Roda, roda o meu pião
Parando sempre no chão
Na poça dágua coloco
Meu barquinho de papel
Mané gostoso que pula
 Vira sempre cambalhota
Menino levado grita
Se  a pipa dá meia volta
Da minha infância recordo
Todas essas brincadeiras
Da corda que eu pulava
Da bola que eu jogava
Dos vestidos das bonecas
Passado sempre presente
Nos netos que estão agora
A brincar na minha frente!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


NASCIMENTO

Nas entranhas da samambaia
Se esconde o ninho
Promessa de vida nos minúsculos ovos
Tão resguardada pelos pais passarinhos
Diariamente cultivada
Aquecida.  esperando o amadurecimento
No eclodir das cascas pelo esforço do bico
Do bebe passarinho
Na avidez de sua fome a vida tem pressa
De alçar voos conhecer o mundo
Para  recomeçar  com um novo ninho!