domingo, 12 de outubro de 2014

SER CRIANÇA


Ser criança

Ter esperança
Se encantar com uma borboleta
Com o beija-flor, árvores e terra
e nuvens de algodão doce
Acreditar nas fadas e duendes
nos super-heróis e nos vilões
Só gostar de brincadeiras
Amarelinha, pula-pula
Esconde-esconde, pega-pegou
Bola rolando, menino sorrindo
depois de tanto viver
Dormir como os anjos!!!
(Ana Rosina)


terça-feira, 20 de maio de 2014

MORTE LENTA



Era um cigarro deixado no cinzeiro
Quase inteiro
Consumido lentamente
Pelo fogo, fumaça e cinzas

Era um cigarro deixado no cinzeiro
Quase inteiro
Quem o fumou tão brevemente?
Quem o abandonou tão sutilmente?
Condenando-o a morrer tão lentamente?

Era um cigarro deixado no cinzeiro
Quase inteiro
Numa aura de mistério
Espalhando no ar seu cheiro
Morrendo aos poucos...

Mas era apenas um cigarro
Deixado no cinzeiro
Sorvendo sua própria chama
Sumindo lentamente

Solitariamente 


domingo, 11 de maio de 2014

ESTRELA-GUIA



NA TERRA EXISTE UMA ESTRELA-GUIA

CUJA LUZ SE EXPANDE E SE IRRADIA

DE TERNURA, CARINHO  E  AMOR

MÃE,  PEQUENO NOME  QUE ENCERRA

 O SUBLIME AMOR  AQUI NA TERRA

 ORIENTANDO NOSSO CAMINHO

NESSE MUNDO DE ESPINHOS

DÁDIVA DE DEUS EM NOSSA VIDA

BELA COMO A  MARGARIDA

DOAÇÃO  EM TODOS OS MOMENTOS

MÃE,  MESMO EM OUTRA DIMENSÃO

SEI QUE GUARDA OS TEUS FILHOS

DENTRO DO TEU CORAÇÃO




quinta-feira, 1 de maio de 2014

VIDA E MORTE

Lampião estava dormindo
Um sono bem agitado
Balançando em sua rede
Um olho aberto outro fechado

Lampião estava dormindo
Um sono muito agitado
O pio de uma coruja
Acordou-o assustado

Lampião estava dormindo
Um sono muito agitado
A volante já vem vindo
Com mais de trinta soldados

Lampião acordou no instante
Que o primeiro tiro soou
Lutou com unhas e dentes
Mas a morte ali chegou

Lampião foi dormir
Um sono bem agitado
Maria Bonita andando
Correndo pelo gramado

Sua cabeça pendeu
No facão de um soldado
Mas Lampião continuou
Com o seu sono agitado

quarta-feira, 30 de abril de 2014

MEMÓRIA

MEMÓRIA




É interessante como a casa reflete a identidade de quem nela mora: seus móveis, seus cheiros, seus sons, cada canto está pleno de presença. Desde minha infância frequentei a casa de meus tios Jayme e Lela. Muitas férias  passei brincando na calçada com meus cinco primos ou saboreando as sopas e angus de Aiá na ceia dos finais de tarde. Aprendi a dançar valsa com meu tio, que era um ótimo dançarino., baiano de boa conversa, muitas histórias de caçadas na mata, onde viu muitas espécies de animais, até uma cobra sucuri que engoliu um companheiro de caçada. Agora, com a partida de minha tia há sete anos e recentemente, de meu tio, a casa está triste, quieta, silenciosa; nela ficou Aiá que ainda faz questão de cozinhar para meus primos que a visitam diariamente, com a atenção de quem nela vê a segunda mãe. Me dói entrar na casa, agora, plena de ausência e lembranças. Mas é importante enfrentarmos a perda, o luto pelos entes queridos e continuar dando atenção a quem fica conosco.

domingo, 9 de março de 2014

O MENDIGO

         Ali estava ele, sentado na calçada: roupas escuras como a fuligem das ruas, apenas um braço, chapéu surrado, olhar vazio, cansados de ter esperanças, apenas vivendo a expectativa de cada dia, a luta para não sentir fome.
   
   Carregava em seu ser, os segredos de um passado que ficou para trás, esquecido na anestesia do não sofrer: que infância teria vivido? Onde sua família vive agora? Como ele perdeu seu braço? Ele sente saudades desse tempo que ficou para trás? O mendigo carrega em si toda uma história que jaz no fundo de sua alma.

    As pessoas passam apressadas, sem notar aquele ser invisível. Mas ele já se acostumou a essa obscuridade, apenas olha as pessoas e estende a mão sem nada falar. De vez em quando, acaricia o cachorro, seu fiel companheiro das noites de solidão, seu único elo com a afeição que não recebe de ninguém. O animal permanece sentado, olhando para ele com o amor que sabe oferecer: ele sabe que, do pouco que conseguir naquele dia, será repartido com ele algum alimento. E apenas espera, como seu dono.

    Num mundo de tanta comunicação, as pessoas estão perdendo a mais importante, que é olhar nos olhos, conversar com alguém pessoalmente, sentir o afeto de outra pessoa. Muitos que por ali passam em seu caminho, estão de olhos baixos, voltados para o celular, na ilusão de que têm muitos amigos, têm muitas boas conversas, na ilusão do mundo virtual.

     E o mendigo que nada sabe de toda essa tecnologia, apenas olha, observa o mundo e acaricia seu cão.