sexta-feira, 21 de setembro de 2012


FELINO

O gato se espicha preguiçosamente
Mas não sai do lugar ainda
Prefere continuar seu sono
De uma paz duradoura
Nem a luz do sol que brilha na vidraça
Provoca algum movimento
Neste que é e apenas quer ser gato
Na sua translúcida essência
Bem acomodado em suas patas
Felinamente livre!
Mas eis que o vento faz rolar uma folha seca
Tão próxima que sua natureza de gato desperta
A alma de caçador que ali dormia
E sai a caçar agilmente!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

ESPERA


Seca a lágrima, seca o riso
O sertanejo apenas espera
Pois só lhe resta a esperança
E a fé na chuva que vem
Por graça de Deus...

Solo seco, sol brilhante,
Terra enrugada como o rosto de um velho
Pois assim ela ficou, estéril, envelhecida
Com galhos rotos onde a morte circunda
Nas ossadas dos bois, das cabras
De bichos famintos e secos pela falta
Da preciosa água

O sertanejo reúne a família
Junta sua pobreza em uma trouxa
Parte dali buscando vida mais amena
Com olhos secos, sem lágrimas
Vendo pela última vez
Sua terra amada e sofrida
Como seu coração!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ONDE ESTÁ A FELICIDADE



Onde está a felicidade


        Era uma cabana singela, mas com um grande jardim, perfumado pelas flores de angélicas e pelo odor inesquecível de dois pés de jasmim, plantados um em cada lado do portão. À noite, o perfume dos jasmins se espalhava no ar, contagiando aos que passavam e não resistiam em apanhar  uma flor para prolongar aquela sensação boa de odores.
          A menina que ali residia brincava à tarde no jardim: de vez em quando chegava ao portão, na ansiedade de comprar amendoins, cujo vendedor passava religiosamente todas as tardes naquela rua. Carregava dois balaios cheios de pacotinhos cor de rosa com amendoins torrados e cozidos, fazendo a alegria da meninada! A menina olhava curiosa através do portão, fazendo seus olhinhos passearem pela rua, segurando nas mãos as moedas, na ansiedade de se fartar com aqueles grãos tão saborosos!
          Um dia, eis que surge um velhinho, preto como a noite, cabelos de algodão, chapéu surrado. Ele para na frente do portão e apanha as flores de jasmim caídas ao chão.
          A menina observa e pergunta:
- Vô, por que você apanha essas florzinhas?
O velho sorri, achando graça da curiosidade da pequena:
-  Fia, eu ajunto tudo e faço um perfume muito cheiroso, deixando o jasmim por alguns dias no álcool. Serve até prá curar dor de cabeça e na espinha...
- Se o senhor gosta tanto de jasmim, vou lhe chamar de Pai Jasmim!
          O velho deu uma risada, mostrando os dentes brancos e se sentiu feliz com o novo apelido inventado pela imaginação daquela criança!
          Sempre pensei que nas coisas simples e puras da vida mora a felicidade. Vivemos em busca de uma felicidade distante de nós achando que ela reside no desejo que não foi realizado. Mas a felicidade está sempre nos rondando, à espreita, esperando nossa descoberta nas coisas simples de nosso dia a dia!
          E com a complexidade própria do ser humano, nos sentimos infelizes sem saber como desvendar o véu e descobrir que essa deusa que se chama felicidade está ao nosso lado e não conseguimos enxerga-la!