segunda-feira, 30 de julho de 2012

MATEUS


MATEUS


MATEUS TEM LINDOS OLHOS
A PESQUISAR O MUNDO
NUMA CURIOSIDADE SEM FIM
TANTA COISA A APRENDER
NESSA IDADE TÃO PEQUENA!
CHEGA DEVAGAR,
NA MEDIDA DE SUA TIMIDEZ
MOSTRA O BRINQUEDO
ESTENDENDO AS MÃOZINHAS
NUM MUDO CONVITE
À BRINCADEIRA
LOGO, LOGO TODA A SALA
SE ENCHE DE ALEGRIA
COM MATEUS A SORRIR
PURA POESIA!

sábado, 21 de julho de 2012

ZÉ DOIDINHO

ZÉ DOIDINHO


 Olinda é uma cidade onde o antigo e o moderno coexistem,  não só na sua arquitetura, mas nos hábitos e costumes de seus moradores. Entre esses hábitos ainda há aquele jeito das pessoas simples do interior, de colocarem suas cadeiras na calçada para uma prosa. Esse costume ocorre  mais na cidade alta, onde as casas históricas e seus moradores, muitos já bem antigos, preservam mais as tradições. Também existe a torcida por esta ou aquela agremiação carnavalesca, onde a antiga competição dos admiradores da Troça Pitombeiras dos Quatro Cantos e Elefantes de Olinda, deu origem a muitas brigas de vizinhos em época de carnaval, o que hoje acontece de forma mais tranqüila na curtição apenas da alegria do carnaval.
Dentre essas tradições, não pudemos deixar de citar as figuras populares da cidade, como O Lorde, um senhor que sempre saia fantasiado de fraque, cartola e guarda-chuva aberto, percorrendo as ruas atrás das troças de frevo, Tonha Preta e Diamantina, homossexuais que, há quarenta anos atrás eram um acontecimento, mas que eram vistos, apesar da discriminação, com um certo respeito pelo povo. Diamantina era um negro alto, muito bonito e forte, que enfrentava a polícia com toda coragem para não ser preso. Tonha Preta era um negro franzino, calmo e cozinhava como ninguém! Ainda lembro das passas de caju que ele fazia e vendia nas portas das casas e que minha mãe sempre comprava para meu deleite!
Mas a figura que para mim traz mais lembranças é o Zé Doidinho! Nunca soube o nome dele, mas lembro que meu pai sempre conversava com ele e lhe dava umas moedas. Zé Doidinho se sentava na porta da Igreja de São Francisco e pedia uma moedinha às pessoas que saiam da igreja ao final da missa. Ele gostava de cantar a mesma cantiga: “Eu sou da banda do Liceu/ Toda morena só gosta de eu!” ou então, se alguém pedisse a ele prá chorar, ele enchia os olhos de lágrima e chorava de verdade! Eu ficava observando aquele homem, tão reduzido a sua inferioridade e conformismo com sua condição, ao mesmo tempo com uma aura de pureza e infantilidade, e sentia muita pena!  Até hoje não sei o seu destino, como morreu e como foi socorrido pelas pessoas, mas seu olhar ingênuo e triste me ficaram na memória!