quarta-feira, 15 de maio de 2013

NARCISO


NARCISO

                 Ele chega de repente, invade a sala com seu canto! E tudo fica mais bonito, mais leve! Ele insiste em cantar para sua imagem no espelho da sala, não sei se ainda não tem uma companheira, ou porque simplesmente se ama. De qualquer maneira, decidi chamá-lo Narciso. Diferente do personagem da tragédia  grega, ele canta, canta e sai feliz, alçando voo para outras paisagens.
             Já me acostumei tanto com sua presença que, ao se atrasar em sua cantoria diária, fico na expectativa pensando se ele vem. E eis que ele chega e inicia sua linda cantoria, em plena liberdade de ir e vir, de voar para onde sentir vontade!
              Sempre tive pena de pássaros em gaiolas. Não entendo por que o ser humano toma posse de pássaros como se eles não fossem livres como a natureza! Um animal que tem asas não deve ficar restrito a um espaço tão minúsculo para sua capacidade de ver o mundo.
             Aqui em casa eles fazem ninho nas samambaias, criam seus filhotes e voltam sempre que sentem vontade, aproveitando o ninho já preparado. E nos presenteiam com seu lindo canto, sem restrições, na liberdade de ir e voltar quando assim o desejam.
          Penso que nessa ânsia de prender e tomar posse, a espécie humana está intimamente aprisionada pelo egoísmo,  que a impede de alçar novos voos, crescer e ser feliz.

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